Histórico da Fazenda Brejaúba
Fazenda Brejaúba
A palavra Brejaúba é conhecida como o nome comumente
atribuído a um tipo de palmeira silvestre corruptela da expressão tupi
ibira-ya-yba ou bira- yá - uba (
brejauva)
Caracterizada por possuir em sua superfície uma grande
quantidade de espinhos, e por sua presença comum em áreas rurais, o termo brejaúba
acabou se tornando denominação relativamente comum de rios, córregos e fazendas
em Minas Gerais
A fazenda localiza-se à margem da MG 434, km 12, na região
da Comunidade de Brejaúba, zona rural da comunidade de São Gonçalo do Rio
Abaixo.
Umas das mais antigas notícias que se possui da existência
da fazenda Brejaúba é datada de 1796, ano em que seu fundador José Moreira
Marques e sua esposa Ana dos Santos Ferreira, após se casarem no arraial da
lapa, atual Ravena, mudaram para as terras hoje pertencentes à fazenda e lá
batizaram seus filhos.
Nos primeiros anos de existência da propriedade, além de várias
outras benfeitorias, a fazenda possuía uma casa térrea dotada de capela,
conhecida até meados dos anos de 1970 como a casa de baixo ou Brejaúba Velha.
No período que vai da fundação até o ano de 1984, a fazenda permaneceu nas mãos
da mesma família. Herdada por Anna Moreira dos Santos, aos se casar com José
Gonçalves Moreira, este tomou a frente da propriedade. A fazenda Brejaúba, em
meados do século XIX, já era apontada como uma das maiores propriedades da
antiga comarca de Santa Bárbara. José Gonçalves Moreira, é apresentado no
recenseamento do antigo distrito de São Gonçalo do Rio Abaixo, em 1831, como um
homem que possuía uma fortuna considerável. Casado com uma das filhas dos
fundadores da fazenda. Foi durante o período em que esteve à frente da
administração da fazenda que José Gonçalves Moreira promoveu a ampliação do
primeiro edifício construído para a sede da Brejaúba. Entre os filhos do casal
destaca-se O comendador José Moreira dos Santos, homem que se tornaria o
próximo herdeiro da Fazenda Brejaúba.
Após herdar a propriedade do pai, o comendador Jose Moreira
dos Santos foi responsável por um dos períodos de maior opulência vividos pela
fazenda. Além da grande fortuna que a família já desfrutava, destaca-se também
a acessão na esfera política que alguns membros da família alcançariam no
cenário estadual, e posteriormente, nacional. Ao se contrair casamento com a
Sra. Narcisa Rosa Teixeira Penna, José Gonçalves Moreira casava-se com uma irmã
por parte de pai, do futuro presidente da república, o mineiro Afonso Penna.
Além do mais, é preciso lembrar que o próprio comendador também possuía laços
de parentesco com o futuro presidente já que era irmão de Anna Moreira dos
Santos, mãe de Afonso Penna e segunda mulher do senhor de Domingos José Teixeira
Pena. Portanto o comendador era tio de Afonso Penna e também casado com uma das
irmãs do presidente, sem, no entanto, possuir nenhum grau de consanguinidade
com sua esposa, já que essa era filha do primeiro casamento do Sr. Domingos
José Teixeira Pena, pai de Afonso Pena.
Durante o período que o Comendador esteve à frente da
Fazenda Brejaúba, entre os anos de 1840 e 1881, foi construído o edifício que é
atualmente sede da propriedade.
Sem derrubar a antiga casa, acredita-se que em meados o
século XIX, deu-se início à construção de um novo edifício para servir de sede
para a fazenda. Acredita-se que a fazenda Brejaúba, no período compreendido
entre 1863 e 1970, por mais de 100 anos, apresentou uma particularidade
interessante, a presença de duas casas que funcionavam como sedes uma diante da
outra, separadas por uma distância de cerca de 50 metros.
Composta de doze filhos, a família Moreira Santos Penna
passou a ocupar as duas sede da fazenda. Construída com apuro e luxo, a nova
sede apresentava características típicas das grandes fazendas mineiras
construídas no século XIX, além de ser compatível com os títulos e riqueza de seu
construtor. Às características
arquitetônicas da nova sede da fazenda revelam elementos que se vinculam ao que
é conhecido como estilo colonial mineiro. Embasada em uma estrutura de pedra, a
edificação possui seu acesso principal por meio de uma escadaria que dá acesso
ao avarandado do segundo pavimento. A enorme quantidade de cômodos, além da presença
de uma capela dentro da própria casa, podem ser percebidos como indicativos da
imponência com a qual o edifício foi construído.
Desde meados do século XIX, a fazenda passou a ser frequentada
por políticos e intelectuais que tiveram papel marcante na vida política
regional e nacional. Contudo, vale lembrar que nos “casos de família” o Sr. José
Moreira dos Santos, além de homem rico com grande participação na vida política
da região, era descrito também como chefe de uma família numerosa, pai rioroso
que exigia que as mulheres da família soubessem costurar e cozinhar e os homens
estudar e trabalhar. Como beato ferveros, o comendador também exigia que todos
seguissem à regra os costumes católicos na fazenda., inclusive, a capela
presente na casa possuía uma carta, com data
de 16 de agosto de 1866, na qual ficavam
autorizadas celebrações a serem
realizadas pelo Cônego Vigario da Várzea de Santa Barbara. Tal autorização foi
recebida com uma grande festa pela família, como rela dona Ernestina, bisneta do
Comendador José Moreira dos Santos:
A presença de capelas internas em residências construídas
entre os séculos XVIII e XIX é indetificada por Àvila (1980) como exemplos de
edifícios de caráter mais nobre. Contudo, é possível presumir que a importância
assumida pela presença de uma capela dentro da casa além de simbolizar o poder
e a preeminência da família na localidade, serviu, evidentemente, à experiência
de religiosidade bastante forte na
região, conforme os registro da história local. A presença de duas portas que
permitem o acesso á capela, uma pelo lado externo e uma outra pelo lado interno
da casa podem sugerir ainda que, além de servir a devoção privada da família,
está também possuía um depoimento que dá conta que cerimoniais de
batismos e atémesmo de casamentos foram realizados na capela da Fazenda Brejaúba
até meados do século XX.
A capela da Fazenda Brejaúba apresenta acesso externo pela varanda e, interno, por
um cômodo da edificação. Seu piso é revestido de tábuas e existem dois degraus
que permitem acesso ao altar principal e único. Internamente, destaca-se o
cuidadoso trabalho dedicado a pintura do altar e as paredes internas do lugar,
além da precensa de um forro abobado de madeira no qual encontra-se pintada a
imagem do Divino Espirito Santo e o símbolo da Santissima Trindade. Ao observar
as características da ornamentação presente na capela da Fazenda Brejaúba, é
possível que estas se aproximam aos elementos próprios do período que ficou
conhecido como transição do estilo rococó para o neoclássico, modelo vbastante
difundido em Minas gerais durante fins do século XVIII até meados do século
XIX. Contudo, também é possível encontrar na parte interior da capela pinturas
que, possivelmente, são posteriores à confecção do altar, devido a maior
elaboração dos desenhos ali encontrados.
Com a morte do
comendador em 1881, a fazenda foi herdada por sua filha caçula, Maria Rosa
Moreira dos Santos Pena. Após se casar com um primo distante, Domingos Ferreira
Pena , foi justamente com seu marido, responsável por um dos periodos da vida da fazenda brejaúba em que ela
conseguiu consolidar com uma das mais produtivas e luxuosas propriedades da
região. Maria Rosa tornpu-se conhecida como Dona Cota da Brejaúba, figura
tradicional e autoritária, uma espécie de elo entre o período imperial e o
republicano, filha de um comendador do império e sobrinha de um futuro
presidente da república.
No período em que foi pro proprietária da Fazenda Brejaúba,
Dona Cota acostumou-se a promover grandiosos banquetes que, por vezes,
transformavan-se em reuniões politicas importantes, tradição herdada de seu pai
, o comendador José Moreira dos santos. Alem de Afonso Penna, governador do
estado e, posteriormente, presidente da republica entre os anos de 1906 e 1909,
frequentaram também as reuniões da Fazenda Brejaúba Afonso Penna Junior , Ministro de Arthur
Benardes e membro da Academia Brasileira
de Letras, os irmãos Dr Domingos Moreira dos Santos e o Desmbargador Manuel José Moreira dos
Santos Penna, o tio Senador Feliciano Augusto de Oliveira Penna, casado com a
tia de Dona Cota, além do Governador de NMinas João Pinheiro, David Campista,
Bias Fortes, entre outros.
Com a morte de Dona Cota, em 1943 a propriedade foi dividida
entre os seus sete filhos. A partir daquele momento, a Fazenda Brejaúba começou
a sofrer um penoso processo de decadência. Com o fim do período da
República Velha, a família Moreira dos
Santos Penna viu seu poder politico diminuir gradativamente, situação que
afetou sua conservação da propriedade. A partir de meados do seéculo XX, a
Fazenda Brejaúba começou a sofrer com problemas estruturais, situação que se
estendeu ás benfeitorias como é o caso do paiooul , do moinho de engenho que
foram de,olidos com o tempo . O outrora opulente mobiliário , prataria e louças
adquiridas no tempo do comendador foi
quase que totalmente vendido, restando alguns poucos exemplares dos objetos
que, anteriormente, compunham o cebnário luxuoso da sede da Fazenda Brejaúba.
Em 1970, a casa de
baixo, antiga sede da fazenda foi demolida para que amadeira fosse usada na
construção de outra casa. Em 1984, em ração da impossibilidade financeira dos
herdeiros em realizar reformas que viabilizassem a conservação da propriedade,
parte da fazenda foi vendida para o Sr. Alberto Cipriano Fernandes, funcionário
aposentado da Companhia Vale do Rio Doce.
O sr. Alberto Cipriano Fernandes adquiriu parte da
propriedade por meio de um leilão realizado na cidade de Itabira, Município
próximo a São Gonçalo do Rio Abaixo. Segundo relato do Sr. Fernades, para
arrematar –parte da fazenda este nescessitou vender todo o seu patrimônio.
Contudo, mesmo com poucos recursos, o Sr. Fernandes tem tentado investir, ao longo dos anos, na
conservação da propriedade.
Além do mais, ainda hoje é possível observar no edifício
sede alguns exemplares dos moveis remanescentes dos tempos áureos da Fazenda
Brejaúba. Representantes do mobiliário típico do século XIX, é possível,
encontrar no interior da casa sede da fazenda, mesas, bancos, leitos que foram
adiquiridos ainda no tempo do comendador. Apesar de receber visitantes , o Sr.
Fernandes tem procurado resguardar
também esses bens para que não sejam vendidos ou tampouco deteriorados.
Contudo a falta de pessoas que
habitassem a casa de forma permanente parece ter sido fator decisivo para que o
edifício-sede da fazenda tivesse sua estrutura cada vez mais deterioirada.
Segundo levantamento realizado em maio de 1997, pelos técnicos do IEPHA Mirella Tartagila Alves e Jorge A. Askar, na
edificação da Fazenda Brejaúba as condições estruturais do edifício foram
descritas como estando em condições precvárias, além do processo de degradação
física da cas estar em estágio bastante avançado. Opassar dos anos, visto que
tal laudojá possui quase 10 anos, parece ter sido decisivo para que se
intensificasse o processo de deterioração da propriedade.
A fazenda Brejaúba foi recentemente restaurada tombada pelo município em 7 de Abril de 2006 Conforme inscrição no livro do tombo n° 007/06
Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo
Setor de Patrimônio Histórico de São Gonçalo do Rio Abaixo
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